A Delegação de Carcavelos do Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores da Brisa, aquando do ENCONTRO NACIONAL ANUAL em Abril de 1995,entre outras actividades para os seus sócios e familiares, que foi desde baptismos aéreos à visita guiada a Sintra/Cascais realizou a 1ª. Expedição, denominada First Off-Road Maroc 95. Os participantes inscritos há muito que acalentava o sonho de «descobrir África» e esta foi a oportunidade.
Com um grupo de 11 viaturas e 23 participantes os organizadores bem atentos, tomaram contacto com a realidade da vida do povo Saharaui, com as suas grandes carências e, assim, cresceu a vontade de ir mais longe – ajudando essas pessoas.
No jantar de confraternização dos participantes depois do regresso, nasceu a TURMA TODO TERRENO e o projecto da primeira Missão Humanitária à Guiné-Bissau. Começa-se a dar forma à 2ª. Grande Expedição 1996 que foi denominada «do zigurate à pirâmide» e que foi o teste às capacidades de obtenção de meios para a realização dos objectivos.
Desde logo, num Calendário Anual de Todo o Terreno, foi incluída uma Grande Expedição. A Brisa, não só pelo seu Grupo Desportivo, tomou parte activa no apoio financeiro à iniciativa.
Inicia-se então uma cooperação íntima com a AMI – Assistência Médica Internacional pela troca de experiências e inter-partilha dos bens necessários às ajudas humanitárias.
Começa assim a tomar forma jurídica uma Associação Não Governamental, sem fins lucrativos – a TURMA TODO O TERRENO, formalizada por escritura pública publicada no Diário da República III Série N.º 247 de 25Out.2002. O seu objectivo é a ajuda a povos carenciados, na alimentação, na saúde e na cultura.
Foram entretanto realizadas 17 Grandes Expedições, compartilhadas por mais de duas centenas de voluntários da Turma.
O QUE PRETENDEMOS
“IR ONDE OS OUTROS NÃO VÃO”- “IR CADA VEZ MAIS LONGE”
Este é o «lema» da Turma. Nas situações de calamidade mediática desenvolvem-se acções de solidariedade com ampla divulgação em que quase se escuta a disputa de quem chega mais depressa (para a fotografia) ou, a seguir, quem «oferece» mais. A TURMA é modesta, não tem muito para dar, não recebe subsídios e os seus voluntários são pessoas comuns que oferecem a sua profissão, as suas viaturas todo-o-terreno e as suas economias para fazerem «FERIAS DIFERENTE AJUDANDO QUEM MAIS PRECISA».
Aqueles grupos isolados e carentes de tudo, não só de medicamentos e de alimentos mas também de solidariedade, AMOR e especialmente de saberem que não estão isolados no mundo --- que há quem pense neles e lhes leve «uns dias diferentes», uma aragem de cultura no meio da aridez do deserto, um bombom e um sorriso. ESTE É O NOSSO OBJECTIVO. Aqueles mesmos grupos que, pelo seu «distanciamento do mundo comum» estão sujeitos ao desinteresse ou, pior, à pilhagem de tudo o que pretenda fazer-se-lhes chegar pelos meios logísticos normais. SOMOS NÓS QUE LÁ VAMOS LEVAR e damos a garantia de que TUDO chega a destino adequado.
Felizmente há mais quem pense como nós; há ainda pessoas e entidades empenhadas em ajudar desinteressadamente quem precisa. É estimulante para quem organiza uma MISSÃO HUMANITÁRIA conseguir resposta afirmativa imediata aos seus pedidos de géneros, muitas vezes sobras inaproveitáveis na nossa sociedade de consumo. Há Industriais que estão com a TURMA desde a primeira viagem e a AMI também.
Mas nem sempre é fácil. Nos grandes grupos empresariais, para além da falta de poder de decisão de alterar procedimentos normalizados, assiste-se à destruição de géneros e medicamentos que o nosso comércio não absorve (por exemplo por ter um prazo de validade relativamente curto - às vezes um ano). Esses bens poderiam suprir carências de muitas pessoas que vivem abaixo do limiar da sobrevivência, sem prejuízo de qualquer economia empresarial.
A AMI, melhor que a TURMA está em condições de divulgar as necessidades e sensibilizar comércio e industrias.
É assim que a preparação de qualquer Expedição representa para a organização sempre um desafio maior que o anterior, por querer levar mais e melhor, cada dia mais consciente das necessidades de cada grupo a ser assistido. Esta tarefa, aliciante, tem sido um desafio.
A inter partilha dos bens necessários para cada Expedição, dando excedentes e suprindo necessidades tem sido a relação mais marcante entre a TURMA e a AMI.
A TURMA QUER LÁ IR OUTRA VEZ!!
No sul do território Marroquino, à margem da fronteira com a Argélia, há uma aldeia de negros (nómadas provenientes da Africa negra, que ali se estabeleceram quando o Rei Mohamed V aboliu a escravatura) perdida nas areias do Sahara.
O imenso deserto onde nem lagartixas sobrevivem acolhe este povo e «deixa-o» sobreviver com um pouco do nada. Mesmo assim é um povo alegre e hospitaleiro que toca os seus tan-tans em festa quando na poeira distingue os jeeps da TURMA. Esta aldeia está sendo anualmente visitada e assistida em serviços médicos, medicamentos e alimentos. É um projecto que gostaríamos de perpetuar na TURMA pois sabemos que um ano que não nos seja possível lá chegar a nossa falta vai ser amargamente sentida.
Já foi repetidamente escrito que, uma mãe que nunca teve um PANADOL para aliviar a febre a um filho, não sentirá a sua impotência para o ajudar, enquanto que outra, que já sentiu os efeitos de um tratamento atempado, na falta dessa ajuda se sentirá muito mais inconformada e aflita.
Bastante mais abaixo, à entrada da Mauritânia a primeira «cidade» a seguir à fronteira tem, segundo cremos, um dos maiores «bandos» de crianças que alguma vez vimos. De todos os tamanhos, sujos, andrajosos e extremamente agressivos (apedrejando convictamente os nossos carros). Foi desejo da Leonor Lima conduzir uma ajuda a estas crianças e depois do contacto com uma ONG local foi possível concretizar essa ajuda.
Vão anos passados, quem volta a ajudar aquela ONG? A Malária cada ano sobe mais um pouco no continente africano – que vai ser daqueles meninos se não houver profilaxia da doença?
E Bissau – Antula e Bolama? Depois da Guerra as nossas «Irmãs Hospitaleiras» seguindo as «Irmãs Italianas» retiraram. Mas «as feridas de guerra» têm de ser tratadas e as Irmãs Portuguesas já lá estão de novo. Como estarão aqueles meninos que exuberantes de alegria gritavam “rally – rally” logo que avistavam os nossos Jeeps? Dói não podermos ir lá com a necessária frequência.
Também aqui a Administração da Fundação AMI tem um contributo efectivo e permanente com a sua Missão na Ilha de Bolama – mas será que é suficiente? Será que não poderemos todos ajudar a AMI no seu esforço de fazer ainda mais?
DIFICULDADES DE MANTER A TURMA EM ACTIVIDADE?
Não é nada complicado manter uma Associação deste tipo, carece de algum tempo disponível, alguma dedicação, facilidade de contacto humano, diplomacia, perseverança, gosto por viajar e saber todo-o-terreno, acrescentando uma boa dose de mau-feitio para superar as dificuldades.
Faltam-nos apoios, logísticos, financeiros e até humanos. Poderíamos e quereríamos fazer muito mais.
VAMOS CONTINUAR A PREPARAR NOVAS VIAGENS
Voltamos à Malária e às carências.
Basta juntar: umas férias um pouco mais compridas, um grupo de cerca de 15 voluntários afoitos e dispostos aos imponderáveis (contando com um médico, um enfermeiro e um mecânico), 6 ou 7 jeeps (de preferência longos) acrescentar equipamento e alimentação de sobrevivência, leite em pó, medicamentos e material de penso com fartura, se possível uns rebuçados e uns pequenos brinquedos, acompanhados de umas ajudas financeiras para os combustíveis e despesas de fronteira ---- para ir --- estamos aqui, E ESTÁ AQUI O DESAFIO PARA NOS ACOMPANHAREM.
A falta de financiamento das despesas de viagem, especialmente a nível de combustíveis e fronteiras, torna difícil arranjar voluntários para nos acompanhar mesmo com a promessa DESTINO-AVENTURA. As revistas mais carismáticas conhecem-nos bem e dão a conhecer as nossas actividades (A TODO-O-TERRENO, AVENTURA 4X4, TT ONLINE, PUBLICO ON-LINE, JORNAL CIDADE DE TOMAR, JORNAL O RIBATEJO) .
Uma imagem abrangente das actividades desenvolvidas ajuda a obter os indispensáveis apoios e estes conduzem, para além de um forte impacto publicitário para quem se disponibiliza a coadjuvar a nossa acção, a uma enorme satisfação no atingir dos objectivos poucas vezes alcançados. Assim se tem obtido a colaboração da DELTA, FAMILIA NABEIRO, ROCHE FARMACEUTICA, BAYER, e GSK.
Mas o esforço financeiro é muito elevado e, por vezes, impeditivo de prosseguirmos com os projectos, embora estas actividades estejam abrangidas pela Lei do Mecenato e a Turma habilitada a passar recibo.
Assim todas as pequenas ajudas fazem um grande ‘bolo’ e nós «estamos no terreno» para levar tudo --- lá --- bem longe --- onde o sorriso daqueles olhinhos negos nos compensa de todo o cansaço e dificuldades.
A 18ª Expedição - 6ª Missão Humanitária à Guiné-Bissau tem data agendada para 21 de Março próximo
Antula e Cumura precisam uma vez mais de ajuda. E nós voltamos a precisar de todas as ajudas para atingirmos este objectivo
http://www.uniao-missionaria-franciscana.org/portal/index.php?id=1343
Foi-nos disponibilizado um furgão, dispomos de um adicional de 1.700 Kg. de capacidade de carga..
Estão inscritas 7 viaturas 4x4 e 16 participantes
É o momento de despertar o desejo de ajudar e confiar na certeza de que tudo faremos para apoiar quem mais precisa, num dos países mais pobres do mundo onde se fala português.
Bem Hajam
Leonor Lima - Turma Todo Terreno (Presidente Direcção)
AMI (Núcleo de Tomar)

